Tivesse eu sofrido
Deixa-nos o tempo com a impressão
De que a vida é uma corrida.
Corremos de verão a verão
Sem saber qual é o ponto de partida.
Nem de partida nem de chegada,
Deste ponto não sabemos nada,
Num dia o avô conta um conto,
No outro choramos na almofada.
Choramos porque não alcançamos
A tão desejada linha da meta.
De que meta falamos?
Da morte à espreita, discreta.
Corremos em caminhos apertados
Palas nos olhos, corações desolados
Queremos alcançar um amor,
Que nos abrace com braços apertados.
Não digo que esteja mal,
é bom sentir alguém que se sente igual
Mas com calma, sem pressão,
Nunca forçando nenhum coração,
Nenhum gesto nem nenhuma palavra
Não é preciso pedir ao amor que se abra.
Damos por nós de sorrisos nos dentes
Talvez forçados, pouco contentes.
Porque tínhamos as palas, os olhos vendados
Mais depressa sorrimos quando não estamos acordados.
Revestimo-nos de olhos e expressões dormentes,
Pensamentos ambíguos, cabeças quentes.
Triste aquele que entra nesta miséria aparente
Não se conhece a si nem ao mundo à sua frente.
Não conhece porque não quis largar a pala
Escolhe o caminho de mais pequena escala
Porque tudo o resto é penoso e faz pensar
Faz sentir dor, quase tanto como amar.
Privamo-nos disso e perto da chegada
Damos por nós moucos e de pele enrugada,
A pensar como seria se tivéssemos tido a coragem
De rasgar a venda, de ser mais do que uma miragem
Mais do que um horizonte e ter algo mais sofrido,
“Era capaz de doer mas pelo menos tinha-o vivido.”
~Sara Filipa Quintaneiro dos Santos
De que a vida é uma corrida.
Corremos de verão a verão
Sem saber qual é o ponto de partida.
Nem de partida nem de chegada,
Deste ponto não sabemos nada,
Num dia o avô conta um conto,
No outro choramos na almofada.
Choramos porque não alcançamos
A tão desejada linha da meta.
De que meta falamos?
Da morte à espreita, discreta.
Corremos em caminhos apertados
Palas nos olhos, corações desolados
Queremos alcançar um amor,
Que nos abrace com braços apertados.
Não digo que esteja mal,
é bom sentir alguém que se sente igual
Mas com calma, sem pressão,
Nunca forçando nenhum coração,
Nenhum gesto nem nenhuma palavra
Não é preciso pedir ao amor que se abra.
Damos por nós de sorrisos nos dentes
Talvez forçados, pouco contentes.
Porque tínhamos as palas, os olhos vendados
Mais depressa sorrimos quando não estamos acordados.
Revestimo-nos de olhos e expressões dormentes,
Pensamentos ambíguos, cabeças quentes.
Triste aquele que entra nesta miséria aparente
Não se conhece a si nem ao mundo à sua frente.
Não conhece porque não quis largar a pala
Escolhe o caminho de mais pequena escala
Porque tudo o resto é penoso e faz pensar
Faz sentir dor, quase tanto como amar.
Privamo-nos disso e perto da chegada
Damos por nós moucos e de pele enrugada,
A pensar como seria se tivéssemos tido a coragem
De rasgar a venda, de ser mais do que uma miragem
Mais do que um horizonte e ter algo mais sofrido,
“Era capaz de doer mas pelo menos tinha-o vivido.”
~Sara Filipa Quintaneiro dos Santos
Comentários (2)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
conta_gia
Autor
2021-02-21
Obrigado ^^
2021-02-19
Simplesmente bonito, bjo
Outros poemas de participantes
Pedaços de ilusões ! - 09/09/2026
Pedaços de ilusões ! - 09/09/2026
Sinto pedaços de ilusões
Adejando em minha mente,
São vel…
Armando A. C. Garcia
zumbilésbia
ela foge e a cidade está tomada o camarada surge em sua mente qual mestre dos magos orientando-lhe na fuga que a situação é de luta todos…
Kátia Surreal
If I didn't had your love
If I didn't had your love My Father I would not be able to live Without your love Please Father give me Some love Because I know that You…
Aldo gabbay kraas
as músicas que escolho
posto poucas não há segredos só pretextos uma falsa trilha sonora regendo o percurso do dia hoje então me descubro quase um segundo quem…
Kátia Surreal