Silêncios ocultos

No divã dos silêncios jaz o tempo sacrificado
Cada palavra expiada abdica de uma rima aldrabada
A meus pés fenece uma endémica hora quase descartada
Os silêncios mais ocultos descodificam ecos tão alucinados
Ostentam a fragilidade dos lamentos sempre enxovalhados
Nutrem lágrimas que se esboroam no ventre dos desejos coagulados
Desprotegida a escuridão aconchega-se a um gemido imenso e enferrujado
Todas as misteriosas trevas sucumbem num apocalíptico silêncio teleguiado
Cheia de cãibras à noite distende-se na musculatura de um breu apaziguado
Frederico de Castro
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