NA MULTIDÃO QUANTOS ROSTOS
Na multidão quantos rostos, eu ando e vejo, em ônibus, trens, nas calçadas das ruas, supermercados, bares, lanchonetes, lojas, clubes e etc... . Observo atentamente a cada um que de mim se aproxima, seus traços, seus semblantes, algumas atitudes. Penso do que poderiam aproveitar de mim no que tenho para amar, mas ao mesmo tempo lembro que sou um miserável que não tenho muito a oferecer, que também sou tão carente de amor como muitos deles na multidão. Mas sinto em mim algo tão diferente, principalmente quando estou em um hospital, quando recordo que ali sofrem as almas, não importando a cor, a raça, religião ou classe social. Às vezes tenho o sentimento e desejo que posso fazer algo muito grande pelos que sofrem, de me repartir como um pão que sacia a fome de todos, que tirem todos do sofrimento, mas não sou o meu Deus. Ai me sinto deveras impotente como um homem sem fé, mas sei que em mim há uma verdade, que não há nenhuma maldade, mas uma imensa vontade que sejam livres os meus próximos. Livres das aflições, das ignorantes paixões que acorrentam a alma, livres das multidões que assolam os corações e desalmam, livres da desunião e da solidão que traumatizam, livres das perseguições e das injustiças que desassociam. Sei que o mal é invisível e provoca resultados visíveis na batalha do espírito contra a carne.