O primeiro salto
De súbito, eu me aproximando e entrando num avião enorme, barulhento, assustador.
Com uma trouxa nas costas,
um monte de soldados apavorados se entreolhando com o objetivo de fugir do inevitável, que era olhar para aquela imensidão azul abaixo e acima de nós todos.
Os sargentos gritando. De imediato eu pensei: tô morto! Não vai dar certo! Até que recebi os comandos esbravejantes, pois a imensidão era ensurdecedora àquela altitude.
Preparar! Levantar! Enganchar! A porta! Ah meus santos, que pavor, que pavor.
Com certeza vou morrer.
Saltei. Deu tudo certo. Abriu. Me apaixonei. Paixão a primeira queda.
Sessenta anos saltando de paraquedas e não quero parar mais nunca. Se paro, morro. De certo morro. De vontade de engolir de uma só vez aquele ar todo. Aquela dança aquática nadando no céu azul. Feito bailarinas numa dança sincronizada. Pernas pra lá e pra cá, braços, giros, saltos. Soltos! Mais livres do que nunca. Tão vivos como sempre. Matando o tempo. Vai, voa longe! Tão lá no alto, que me faz sombra feito nuvem, corta os céus e mergulha.
Venha o vento que houver. Vou nadar lá no alto, vai ser eu, o velho, e o mar.
Com uma trouxa nas costas,
um monte de soldados apavorados se entreolhando com o objetivo de fugir do inevitável, que era olhar para aquela imensidão azul abaixo e acima de nós todos.
Os sargentos gritando. De imediato eu pensei: tô morto! Não vai dar certo! Até que recebi os comandos esbravejantes, pois a imensidão era ensurdecedora àquela altitude.
Preparar! Levantar! Enganchar! A porta! Ah meus santos, que pavor, que pavor.
Com certeza vou morrer.
Saltei. Deu tudo certo. Abriu. Me apaixonei. Paixão a primeira queda.
Sessenta anos saltando de paraquedas e não quero parar mais nunca. Se paro, morro. De certo morro. De vontade de engolir de uma só vez aquele ar todo. Aquela dança aquática nadando no céu azul. Feito bailarinas numa dança sincronizada. Pernas pra lá e pra cá, braços, giros, saltos. Soltos! Mais livres do que nunca. Tão vivos como sempre. Matando o tempo. Vai, voa longe! Tão lá no alto, que me faz sombra feito nuvem, corta os céus e mergulha.
Venha o vento que houver. Vou nadar lá no alto, vai ser eu, o velho, e o mar.
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