APERTO

As nossas mãos já não sabem dessa procura
Desacostumaram de carregar-nos pelos parques
De passearem grudadas por calçadas e ruas
Nem mesmo andarem pela orla pedem mais

Os nossos dedos são aleatórios fantasmas
Permissivos transmissores predatórios
Não mais podemos transitar pela cidade
As mãos unidas foram sinônimo de amizade

Não sinto mais o suor das nossas palmas
Da calorosa sensação de protegidas
Da transição entre o perfeito e o rascunho

Agora cerro o pulso e toco leve seu punho
São novas formas de expressão mais consentidas
E as nossas mãos unem a seu modo as nossas almas
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