Não sou dono de nada além das palavras
que utilizo, mas não invento.
Minha mente fechada vive nas lavras
de minério e pensamento.

Roubo - e peço emprestado - um grito abafado
de alto distanciamento,
para guardar, na sacola do mercado,
a solidão e o fingimento.

Um observador sem os olhos do rosto,
uma vida sem vontade.
Uma comida sem gosto,
um olhar de pertencimento e vaidade.

São as faixas vermelhas da chuva no asfalto,
reflexos que se diferem.
Só quando as nuvens escapam do planalto
é que as nuances se aderem.

E eu não sou dono de nada, não sei tudo
e aguardo, espero eles verem
que em cada rima deixo um sussurro mudo
de estultices que me ferem.
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