viajar
escrever é também assumir o compromisso de criar viagens,
e não quaisquer viagens: viagens independentes e perenes.
você, escritor, cria uns percursos através das palavras
e involuntariamente dá à luz certos percursos ocultos
(a que outros, que não você, possivelmente encontrarão depois),
e mal se dá conta do que faz
enquanto consuma a cada linha teu esforço e intento,
sem qualquer garantia de alívio ou precisão.
e então, uma vez concluída a obra,
é que você vê, se olhar bem, que ela está menos concluída que nunca.
subitamente,
ela é uma viagem. e é como um filho:
a tua participação foi essencial para que ela existisse,
e entanto ela não te pertence. ela está lá, se desenvolvendo à parte de ti,
no desamparo do mundo, sem esperança. existindo.
viajando e conduzindo outros a viagens sempre imprevisíveis e distintas,
se renovando sempre e desabrochando outros caminhos
que outrora estiveram dormentes
em suas entranhas absurdas.
acaso há mais doce favo de poesia do que isto?
viajo outra vez.
e não quaisquer viagens: viagens independentes e perenes.
você, escritor, cria uns percursos através das palavras
e involuntariamente dá à luz certos percursos ocultos
(a que outros, que não você, possivelmente encontrarão depois),
e mal se dá conta do que faz
enquanto consuma a cada linha teu esforço e intento,
sem qualquer garantia de alívio ou precisão.
e então, uma vez concluída a obra,
é que você vê, se olhar bem, que ela está menos concluída que nunca.
subitamente,
ela é uma viagem. e é como um filho:
a tua participação foi essencial para que ela existisse,
e entanto ela não te pertence. ela está lá, se desenvolvendo à parte de ti,
no desamparo do mundo, sem esperança. existindo.
viajando e conduzindo outros a viagens sempre imprevisíveis e distintas,
se renovando sempre e desabrochando outros caminhos
que outrora estiveram dormentes
em suas entranhas absurdas.
acaso há mais doce favo de poesia do que isto?
viajo outra vez.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Coruja Doce ê..
Julian Lael
Porque inteligência é tão braba, Não há como fugir dela pinguim; E age na surdina, logo acaba, Com o intelecto do mai…
Julian Lael
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*