Das origens em profundo vão com ligeiros arroubos
há
2000000 de anos
entre mim
e meu macaco
marco
da idade
do meu parto
há aeroplanos
entre meu olho
e meu engano
e asas de pterodáctilos
a somar retinas
nos meus vasos
há
3000000 de metros
de veias
e estradas
entre o grito do medo
e o grito das harpas
há vozes
encalhadas nos portos
e vezes
encalhadas nos braços
há futuros
em pedras e pontes
e avisos plantados
sobre minha fronte
há vermes
funcionando
destarte a burocracia
do luto
há horas
e momentos
escondidos nas rugas
do pensamento
há miséria e fartura
no campo e nas barrigas
dos irmãos
e das lombrigas
há morte e vida
e facas e feridas
entre o morto
e a sanha do corpo
há distâncias
e, perto, o encontro
há discrepâncias
e a certeza de estar
cada vez sempre
em mudança
há luto
no peito dos finados
pela revolução
em seus gargalos
há susto
nas barrigas gerais
das crianças da pátria
há custos
para que a curva
suba mais nas paredes pintadas
dos edifícios centrais
há cédulas e medulas
sangrando nas marginais
de povoados em escuta
e de morticínios tais
há defloramentos e amores
escorrendo nas vielas
espalhando dores e flores
pelas cancelas
há verdades
espalhadas nas praças
nos olhos da história
nos gritos do povo
há indústrias paradas
e suores trabalhando
há a festa das máquinas
e dos parasitas
na desgraça humana
há tumores e humores
nas mãos da multidão
há versos e música
nos olhos do povo
nas curvas da luta
há milagres
na constância
da humanidade sorrindo
em busca de sua substância.
2000000 de anos
entre mim
e meu macaco
marco
da idade
do meu parto
há aeroplanos
entre meu olho
e meu engano
e asas de pterodáctilos
a somar retinas
nos meus vasos
há
3000000 de metros
de veias
e estradas
entre o grito do medo
e o grito das harpas
há vozes
encalhadas nos portos
e vezes
encalhadas nos braços
há futuros
em pedras e pontes
e avisos plantados
sobre minha fronte
há vermes
funcionando
destarte a burocracia
do luto
há horas
e momentos
escondidos nas rugas
do pensamento
há miséria e fartura
no campo e nas barrigas
dos irmãos
e das lombrigas
há morte e vida
e facas e feridas
entre o morto
e a sanha do corpo
há distâncias
e, perto, o encontro
há discrepâncias
e a certeza de estar
cada vez sempre
em mudança
há luto
no peito dos finados
pela revolução
em seus gargalos
há susto
nas barrigas gerais
das crianças da pátria
há custos
para que a curva
suba mais nas paredes pintadas
dos edifícios centrais
há cédulas e medulas
sangrando nas marginais
de povoados em escuta
e de morticínios tais
há defloramentos e amores
escorrendo nas vielas
espalhando dores e flores
pelas cancelas
há verdades
espalhadas nas praças
nos olhos da história
nos gritos do povo
há indústrias paradas
e suores trabalhando
há a festa das máquinas
e dos parasitas
na desgraça humana
há tumores e humores
nas mãos da multidão
há versos e música
nos olhos do povo
nas curvas da luta
há milagres
na constância
da humanidade sorrindo
em busca de sua substância.
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