Vagando entre estações


Sigo viagem sozinha, em um trem lotado de pessoas estranhas.
Passamos pela estação do passado, me impediram de descer, implorei,
dessa vez acertaria o caminho, ouvi um sussurro “você não tem mais tempo”.
Desci na estação do presente, mas só vejo um deserto,
que só pode ser associável à minha impotência.
Numa busca solitária de sentir no corpo o arrepio de ser tocada por mãos trêmulas de desejo e amor
Mas o deserto é turbulento e desesperador, onde nem mesmo o grito mais sufocante
e doloroso consegue ser ouvido.
Descanso a mente e o coração em uma cama de areia,
quente durante o dia, fria ao cair da noite.
Se não morrerei de febre, então morrerei de paixão.

 

Mauricélia Alencar
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