Empíreo poente

Com mestria e sensibilidade Deus pintou-nos o poente
Radiante, absorvente e extraordinariamente flamejante
A luz ebúrnea e empírica sucumbe mais dissimulada e latejante
Como reagirá a escuridão que chega intempestiva e hidrogenante
Quem acalentará minha solidão inerte e quase incessante
Talvez a fé e a paz repousando na reverência do tempo itinerante
Assim se esconde o empíreo poente afrodisíaco e cativante
Assim se esvai a noite paparicando cada breu mais elegante
De negro se veste uma hora milimetricamente fiel e exuberante
Frederico de Castro
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