Ainda amo
Amo-te! Ainda. É no silêncio da minha amargura que cala a minha solidão. A saudade perpetua, sempre. É na dor que me refugio do que sinto e sinto! A música que canta, me encanta, me toca, me embala. Lembranças! Tuas. As ondas indo e vindo, se quebram, somem, se escondem. Meu mar! Não coube na imensidão. O amor não foi suficiente. Perderam-se todos os lampejos. A noite! Cálida. Fez-se obscura em mim. Ainda vejo! De longe observo os passos que seguiam o meu martírio. No meu pensamento moram todos os sonhos. No meu olhar só enxergo a ti. Ferve o que me foi reservado. Queima imensamente n'alma. Quantos beijos perdidos. Em vão. Quantos beijos beijados. Guardados. Restaurados em cada instante da lembrança. Não houve espaço, não houve tempo, não importa. Perdi o resto que possuía. O vazio nunca será reconstruído. Oculto, nada se contenta. A vida! Que vida? Na noite estrelada, faltam as estrelas; no dia ensolarado falta o sol. Nada faz sentido se dentro de mim tudo se desfez. É na tua ausência que se enclausura a minha angústia. Amo-te! Ainda. Com toda a pureza, com toda malícia. Somente isso. Somente amor.
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