O homem sem nome
Em uma mesa solitaria e enferrujada de uma cafeteria antiga há um homem de chapéu e oculos, sentindo o sabor daquele café amargo que para ele era tudo que deveria existir. Era verão, mas mesmo assim nevava, nevava tanto que seu chapéu que era preto agora era branco, seus óculos estavam embaçados mas ele nunca limpava, pois neste mundo nao há nada para se ver, ninguem para se falar, ninguem para contar seus desejos mais profundos, as vezes falava com seu chapéu, as vezes com seus oculos, e até mesmo raramente com a xícara de café. Um dia o homem se levantou com a esperança de que aquele dia seria diferente, pegou seu café amargo, sentou-se naquela mesa enferrujada e esperou, esperou tão esperançoso que o dia passou tão rapido quanto o vento e mesmo assim nada aconteceu, os passaros não cantaram, pois não existiam, as arvores não balançaram, pois estavam secas, mas mesmo assim o homem no outro dias fez o mesmo, pegou seu café, sentou-se lá, esperançoso novamente, e sentiu que, naquele dia tudo seria diferente, assim como todos os dias.
Antes de dar o ultimo gole em seu café, o homem parou, desembaçou seus oculos e olhou focado para o horizonte, e viu que lá havia uma silhueta, para o homem, parecia que o sol estava aparecendo depois de uma eternidade de escuridão, era uma mulher de vestido vermelho que se aproximava, não sentia frio, sua pele não se queimava com gelo, seus pés não se molhavam na neve derretida. Sem dizer nada a mulher se aproximou, tomou seu ultimo gole de café, e naquele momento, sem dizer nem uma palavra, com apenas o som do vento e da neve o homem sentiu como se daquela mulher vinha uma canção, assim como o som dos passaros e das arvores, e sentiu pela primeira vez a tranquilidade, o sentimento de que tudo que faltava naquele mundo estava a sua frente. A mulher olhou em seus olhos, andou em sua direção e beijou o homem solitário, o gosto de leite e mel exalava em sua boca, em seu peito sentia algo quente em meio ao mundo gelado, não era mais frio, não havia mais solidão, e antes que aquele momento acabasse, a mulher se afastou, o homem a viu desaparecer em neve vagamente, e sem antes perceber não estava mais ali. O homem sentou-se, sua jornada chegara ao fim o vento o encobriu e sem que antes percebesse, não estava mais ali. Agora vagava em um espaço quente, o cheiro de mel, o homem, o chapéu e seus oculos não mais existiam, pois ja viveu e ja experimentou toda a existencia do universo, e ali, nao havia mais proposito, a mulher de vermelho deu-lhe sentido, e agora, não vaga mais pela eternidade da solidão daquele mundo branco e sombrio.
Marcos Teodoro
Antes de dar o ultimo gole em seu café, o homem parou, desembaçou seus oculos e olhou focado para o horizonte, e viu que lá havia uma silhueta, para o homem, parecia que o sol estava aparecendo depois de uma eternidade de escuridão, era uma mulher de vestido vermelho que se aproximava, não sentia frio, sua pele não se queimava com gelo, seus pés não se molhavam na neve derretida. Sem dizer nada a mulher se aproximou, tomou seu ultimo gole de café, e naquele momento, sem dizer nem uma palavra, com apenas o som do vento e da neve o homem sentiu como se daquela mulher vinha uma canção, assim como o som dos passaros e das arvores, e sentiu pela primeira vez a tranquilidade, o sentimento de que tudo que faltava naquele mundo estava a sua frente. A mulher olhou em seus olhos, andou em sua direção e beijou o homem solitário, o gosto de leite e mel exalava em sua boca, em seu peito sentia algo quente em meio ao mundo gelado, não era mais frio, não havia mais solidão, e antes que aquele momento acabasse, a mulher se afastou, o homem a viu desaparecer em neve vagamente, e sem antes perceber não estava mais ali. O homem sentou-se, sua jornada chegara ao fim o vento o encobriu e sem que antes percebesse, não estava mais ali. Agora vagava em um espaço quente, o cheiro de mel, o homem, o chapéu e seus oculos não mais existiam, pois ja viveu e ja experimentou toda a existencia do universo, e ali, nao havia mais proposito, a mulher de vermelho deu-lhe sentido, e agora, não vaga mais pela eternidade da solidão daquele mundo branco e sombrio.
Marcos Teodoro
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