HÁ TEMPOS QUE EU NÃO BEIJO

Há tempos que eu não beijo
Nem sei mais qual é o gosto
Ainda quero e o desejo
Mas da minha boca isso foi deposto.

Quando vejo um sorriso
De uns lábios promissores
Evocam-me um paraíso
Dos quereres por amores.

As barreiras e os espinhos
Sem certezas de sucesso
As pedras pelos caminhos
Forçando-te ao regresso.

As causas de desalinho
Por princípios em progresso
Pela razão de um pergaminho
Quando um olhar já é excesso.

Orvalhos me seriam suficientes
Bocas úmidas em cada manhã
Gotas frescas e oniscientes
O gosto único mordido em uma maçã.
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