O tempo nos consome
Eu não me via,
nem a mim, nem ela.
Era tudo escuro,
de repente clareou e
foi aí que tudo começou!
Bom, na verdade já havia começado
há um tempo atrás.
Quando me vi, já estava grande!
Quando a vi, estava tão bela!
O que aconteceu do início até aqui?
Já nem me lembro mais,
mas ela se lembra, de cada detalhe.
Quando me vi já estava diferente outra vez.
Estava crescendo a cada dia,
por dentro e por fora.
Quando a vi, ainda estava bela,
mas o tempo, cruel,
estava tirando-a de mim e eu nem percebia.
O tempo, feroz, mas silencioso.
Está em todo lugar.
ele nos toca e nem percebemos.
Está a nossa volta, nos deixa loucos.
Oh Deus, socorrei-me! Dai-me a tua mão,
me ensina a caminhar, ajudai-me a entender
pois sou fraco de espírito!
Quando me vi, estava aos prantos,
sem ninguém a minha volta.
quando a vi, estava em meus braços,
pela última vez, em seus últimos suspiros
e com minhas lágrimas em sua frágil pele a escorrer.
O tempo, ainda que cruel
e com tão pouco sentimento,
deixou despedirmos um do outro.
Eu pedindo perdão, pois sabia de minhas faltas
e ela, com aquela doce voz me acalmava,
fazendo a promessa de um dia
nos encontrarmos novamente.
Quando me vi estava sozinho,
perdido, sem rumo.
O tempo, sem cessar me acompanhava,
até que um dia me rendi.
Fraco, eu? Jamais! Pelo contrário,
sou forte! Forte por estar vivendo quando
uma parte de mim morreu naquele dia.
Quando vi, estava escuro a minha volta.
“Valei-me meu Deus, não me abandone!”
Do meio da escuridão veio ela, em um raio de luz,
cumprir a promessa que me fizera naquele triste dia.
Quando me vi, estava feliz novamente junto a ela,
sem o fatídico tempo a nos cercar.
Caíque Nunes
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