ACASOS

Por fechar os olhos

Vislumbrei os meus sentimentos

Até então eu não os tinha nem claros nem livres

 

Foi no fixo breu dos olhos fechados

Que se tornaram iluminados

Libertos por estarem soltos

E de mim tão pertos quanto breves

Que os achei redescobertos pelo rosto

 

Fechar os olhos deveria ser tão contínuo

Quanto mantê-los despertos

Afinal é quando nos redesenhamos mórbidos

Que o encantado estado das coisas

Revela-nos como somos

 

Então a morte seria a profilaxia do acordado

Ou a esdrúxula condição do sono?

Metade de mim é essa arte que se reverte e desperta

Todo o resto é a outra parte

Que recobre de acasos meus atos


O portal do tempo é o parto


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