POR UM FIO

Ainda não estou tão morto porem já frio
Lenta a vida pulsa
Estivesse febril haveria repulsa 
A morbidade expulsa a réstia de luz
E a morte avança avança

Quantas solas de calçados
Pelos passos caminhados foram gastos
Quantos rolos de papel
Limpando o anus por esses anos usei
Emendasse os cabelos pelas pontas
Em separado que distância os cortei
Fizesse as contas do volume mastigado
Quanto fora comido e devorado
Calculasse os olhares lançados
Distâncias alcançadas simplesmente admirando
Quanto foi suado quanto arrepiei
Quanto desejado quanto já gozei

Quanto de lágrima fora vertida
Por todos os motivos chorados
Quanto de agua lavando a alma
O corpo e a mente sempre maculada
Quanto sono então dormido
Com sonhos ou sem que os lembrasse
Quanto de dinheiro amealhado
Quanto gasto quanto resta a receber
 
Quanto trabalho concluído
Quanto construí sem saber
Quantas unhas cortadas
Quanto sangue escorrido
Quantas palavras pronunciadas
Quantas precisaram engolidas
Quantos espirros quantos sorrisos
Quanto ar aspirado quanta bufa já soltei

 
Quantas mentiras creditadas
Quantas verdades soltaram-se desatinadas
Quantos nomes já clamados
Quantos ainda chamarei
Tantas dores tantas máximas
Restarão ensimesmadas

Ainda nem mais nem menos vivo
Porem ainda morno
A vida por um sopro
A morte por um fio


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