E EU QUE SEM PENSAR AMEI

E eu que sem pensar amei
Surpreendido e arrebatado
Surrado ao longo caminhei
Levando a dor de ter amado.
E eu que não mais pude
Acudir meu coração triste
Por um amor de forma rude
Na existência que você inexiste.
Em anos de árdua supressão
Ocupando um vazio no espaço
Foi-se o prazer com a pressão 
Comprimido por apertado laço.
Senti o tempo voar e me levando
Perdi os frutos do amor semeado
À medida que foram murchando
No fraco solo onde foi plantado. 
Percebi encurtar os meus braços
Já não alcançavam mais um toque
Minhas mãos cheias de embaraços 
Fez-me escondê-las em choque.
Olhar para dentro de todo o vago
Sem saber mais como preenchê-lo 
Querendo consumi-lo num trago
Num imenso desejo de vencê-lo.
De repente tudo é um pesadelo
Acordado o almejado é um sono
Longo, profundo, e cheio de zelo
Grão, solo, planta, e frutos de um só dono.

Erimar Santos.
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