Navios Ancorados
Toda a minha vida é um porto
de onde não se parte
sou um navio fundeado
que desconhece o mar-alto
meu navio está ancorado na doca seca
as amarras prendem-me
cingem-me ao solo árido
a terra enxuta abriu-se e engoliu o mar caudaloso
o grande oceano é agora um fiozinho de água tímida
no meu país já não há marinheiros
os nautas navegam em lágrimas salgadas
e brincam em banheiras transbordantes de água
com barquinhos de borracha
simulando batalhas navais épicas
as cartas de navegação
servem agora para forrar fundos de gavetas
os navios esqueléticos e enferrujados
definham e envergonhados sonham com viagens transoceânicas
alguns apontam a proa para as estrelas
e rogam aos astros
que a terra se abra e que a água brote
preenchendo e enchendo os sedentos mares
é má sina para um navio morrer em terra
carcomido e obsoleto
navio foi feito para arrostar as tormentas
e domar o mar encapelado
antes afundar e ficar sepultado no mar profundo
que ter por última morada um cemitério de navios
onde são retalhados e o aço reciclado numa siderurgia faminta
acabarão nas lâminas das adagas e num qualquer fuzil fratricida
António Andante (Ó,Serôdia!)
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Flor da Minha Memória.
Bom dia flor do meu mau dia
Suas marionetes ainda funcionam?
E a sua lábia ainda corta ?
Lembra da corda que me prendia a você, …
Roney
Você.
Só você sabe por tudo que passei pra chegar até aqui, Só você.
Só tenho você em quem confiar.
Por que você não conta algo sobre voc…
Roney
Bem-vindo.
O mundo aqui não é como você pensa Tudo mudou, Esse não é o seu lugar Até você se adaptar Você morrerá. Sua opinião aqui não conta. Be…
Roney
Girassol.
Já de manhã, consigo avistar
O sol a raiar, já tenho que desabrochar,
A mesma rotina, todos os dias sem parar
Vamos lá! …
Roney