O amor é um animal que não se olha nos olhos
Vínhamos pelas encostas de corações leviantados. Abraços envolventes e sorrisos incontidos. Breves momentos que pareciam eterno, quando no canto da rua, refreamos os passos para o dispedir de mal querença. Preferia nunca deixar para trás tão pomposo momento. Mas lá fomos entre caminho cruzados. Jaziam saudades de tempos a fios. E antes mesmo que alucinasse um sonho, tornei os olhos para o fundo da rua - lá ias, seguindo despreocupada e singela - sem um só aceno, um último olhar ou um sorriso estendido. Como se a saudade que por anos nos viveu justo ali se bastasse. Justo ali se desaguasse para ceder às insuficiências da vida. Que animal venha ser o amor... que não se deixa revelar na sua mística para de súbito nos apossar sem piedade !
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