Plágio do tempo

O tempo plagiou cada segundo inerte e subestimado
Desprezou um decímetro deste silêncio quase inanimado
Projetou no tempo um côvado de lamentos tão exaltados
Incrédula a noite amadurece desnuda, sensual e esfaimada
Ali prazerosamente a solidão resguarda a fé muito mais abismada
Ali se permutam e tateiam caricias apaziguantes e entusiasmadas
O tempo amancebou-se com tantas palavras fecundas e desassombradas
Onde se perscrutam cúmplices ilusões voluptuosamente apaixonadas
Onde se raptam inenarráveis emoções imprescritivelmente sincronizadas
Frederico de Castro
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