Desponta
Eis que despontae meu corpo já sabe o quê.
Fala numa linguagem de dor, de súplica inflamável e morrente.
Desaponto, pondo o certo duvidoso.
Puxo o fio pela ponta escondida.
Dentro do novelo torvelinhoum emaranhado a não acabar.
Encho as duas mãos.
Como desconfiar da força desta linha?
Lá está a matéria a dizer-me, de muitas maneiras:
somos, no centro da tramacosturada a pulsoao longo de anos.
Puxo o fio pela ponta que se me dá.
Não hei de perder esta meada impossível.
Meta para além da deterioração.
Vou fazer e repetir desenhos de flores,pássaros.
Vestirei as peças,aprendendo a despir-me
e a gostar de dobrarpara ser,
para poder ver
veste cingida ao corpo,
veste pousada no banco,
veste liberta na cama.
Menos o aroma da vesteque me poderiam impingir
em uma porta da cidade,
nada sem mim.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
A vida inteira ! (soneto) - 10/11/2015
Carreguei a vida inteira, este meu fardo Fruto idílico de um amor passado, Que em chamas de amor ainda arde, E nem as cinzas, dão o fogo…
Armando A. C. Garcia
Amor; (soneto) - 10/06/2016
se é que esta palavra tem sentido
após intensa vivência amorosa,
como forma de sublimar o indefinido
de um mom…
Armando A. C. Garcia
Vós ... (soneto duplo) - 09/11/2015
Sinto a dor que trespassa o coração Desde a ímpia e remota mocidade, Cansado de aguardar outra intenção Que a vida me frustrou em tenr…
Armando A. C. Garcia
Ao Arquiteto do Universo - 12/09/2004
Ao Grande Arquiteto do Universo Eu peço, neste meu humilde verso , Um mundo de amor, paz e progresso Entendimento nos lares e sucesso. …
Armando A. C. Garcia