Desponta
Eis que despontae meu corpo já sabe o quê.
Fala numa linguagem de dor, de súplica inflamável e morrente.
Desaponto, pondo o certo duvidoso.
Puxo o fio pela ponta escondida.
Dentro do novelo torvelinhoum emaranhado a não acabar.
Encho as duas mãos.
Como desconfiar da força desta linha?
Lá está a matéria a dizer-me, de muitas maneiras:
somos, no centro da tramacosturada a pulsoao longo de anos.
Puxo o fio pela ponta que se me dá.
Não hei de perder esta meada impossível.
Meta para além da deterioração.
Vou fazer e repetir desenhos de flores,pássaros.
Vestirei as peças,aprendendo a despir-me
e a gostar de dobrarpara ser,
para poder ver
veste cingida ao corpo,
veste pousada no banco,
veste liberta na cama.
Menos o aroma da vesteque me poderiam impingir
em uma porta da cidade,
nada sem mim.
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