Aqui tem poesia
Porão de tábuas
Sol inabitável
Com musgos verticais
Detestável aos mortais

Tem poesia
Sete num cômodo
Mais bichos de estimação
Passeando nos pratos
Empilhados no canto

Aqui a boneca fala
Brinca consigo mesmo
Faltando um braço
Recita poemas e vaga
Na inocência amarga

Em preto e branco
A poesia faz chama
Sacia com um verso no prato
De sete sentados sem cadeira
Na mesa posta sem mesa
Sobram espíritos e vozes
Declamarem em cada olhar

Aqui a poesia é nua
Brinca no beco, flutua
Aqui a poesia sonha:
Atriz, professora
Modelo, cantora...
Aqui a poesia acorda para sobreviver
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