As folhas que voltam ao chão

Quando me sento no solo,
Para ouvir o afago da monção,
Vislumbro as largas folhas que caem
E voltam à sua origem, o chão.
Na queda infinita de pouca altura,
Assisto ao filme de toda uma vida:
Poucos dias de puro verdor,
Poucos dias de face abatida.
Sacodem-se num giro interminável
Como em ciclos que a vida ensina:
Nascer, remorrer e renascer...
Toda essa grandeza me fascina!
Vejo a existência que se finda,
Sem importar quão alto se chegou:
Tudo se resume à mesma altura,
E tudo o que se foi passou.

Pedro Lucas Moro
O Eu e o Lá Fora, 2019.
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