A TOSSE

A tosse do peito se apossa
Explode da boca
Mas não se sabe 
De onde ela nasce
Se do oculto fosso 
Da ânsia do corpo
Ou do irreverente sopro 
Que sai fazendo cócegas pelo esôfago 
Que expulsa a agonia da alma
Por excesso de sede 
Ou elegia à fome
No pântano danoso
Que destroça o pulmão

Sei apenas que num impulso 
Sozinho tusso e me desmancho sonso 
Qual um gozo zonzo de solidão



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