CONVICÇÕES

De nada estou certo
Sempre abominei as certezas
O tempo é afeito a surpresas
Nós as tornamos distantes
Soltas nas correntezas se vão
Ou por sorte sentimos por perto
O que por viés longe estavam

Ontem choveu todo o dia
E enquanto o chuvão chovia 
Não vi nenhum pássaro pela varanda 
Cobiçando migalhas de pão
As formigas se ocultaram
Ninguém abriu as janelas
Também me ausentei da rua

Os insetos já circulam
Sabiás brincam nas poças e caçam-nos
Os vizinhos dobram as vidraças
Amarrando as cortinas nos raios da manhã
E eu de soslaio saio de acaso 
Como saem os pensamentos
Sem saber se advirão 

Ainda que perdurem as dúvidas
O tempo derrama surpresas
E abrasa ou moi fortalezas
Cada coração constrói seu edifício
Mesmo sabendo o quão difícil é
Alicerçar certezas nas ilusões
Danem-se as convicções



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