Trópicos do cansaço
O sol nasceu mas a cidade ateve-
-se, uns olhos desabrocham, outros cerram,
Uma outra noite em que também não teve
Os prazeres sublimes dos que erram.
Pensa muito na morte e no querê-la,
No partir de vontade e sem acaso,
Pensa muito na vida e não tê-la
Entre antes e depois como um atraso.
Sonhando alternativa mais ilustre
Intensifica a persistência inútil,
Cria uma perspetiva que não frustre
O alinhavo subtil da vida sútil.
Vê-la foi acordar mas ir sonhando,
Semicerrar a consciência aberta,
Foi não amar jamais mas ir amando,
Emudecer uma paixão desperta.
Vive os sentimentos mas em bicromático,
Manada de zebras remoendo plácidas,
Serenas, quietas, lambem neves ácidas
Que chovem do cérebro-rei, sistemático;
E fala de amor mas como dum relógio,
Com horas e tempo certo, pontual,
Faz aprimorado, exato necrológio
De não terem sido, com percentual.
Ela quer que existam em perfeição
E ver-se refletida nele, amada,
Sumir em misticismo e negação,
De não poder ser tudo, sejam nada.
-se, uns olhos desabrocham, outros cerram,
Uma outra noite em que também não teve
Os prazeres sublimes dos que erram.
Pensa muito na morte e no querê-la,
No partir de vontade e sem acaso,
Pensa muito na vida e não tê-la
Entre antes e depois como um atraso.
Sonhando alternativa mais ilustre
Intensifica a persistência inútil,
Cria uma perspetiva que não frustre
O alinhavo subtil da vida sútil.
Vê-la foi acordar mas ir sonhando,
Semicerrar a consciência aberta,
Foi não amar jamais mas ir amando,
Emudecer uma paixão desperta.
Vive os sentimentos mas em bicromático,
Manada de zebras remoendo plácidas,
Serenas, quietas, lambem neves ácidas
Que chovem do cérebro-rei, sistemático;
E fala de amor mas como dum relógio,
Com horas e tempo certo, pontual,
Faz aprimorado, exato necrológio
De não terem sido, com percentual.
Ela quer que existam em perfeição
E ver-se refletida nele, amada,
Sumir em misticismo e negação,
De não poder ser tudo, sejam nada.
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