E o tempo passa...

E o tempo passa e cada segundo fenece e jaz além indubitável
Uma manto de andrajosas luminescências amara feliz e vulnerável
Empedernida a solidão desnuda-se numa palavra carente e formidável
E o tempo passa e o silêncio espartilha-se num milhão de ecos inigualáveis
E a manhã em surdina acaricia o patamar dos sonhos mais e mais inimagináveis
Em sintonia cada gota de luz rega e perfuma todas as gargalhadas felinas e perduráveis
E o tempo passa e a inspiração frustrada engaveta a minha tristeza tão perdurável
E numa fresta de ilusões labirínticas algema-se esta hora entristecida e imutável
Em cada encarquilhado silêncio um indelével sussurro ressuscita destemido e admirável
Frederico de Castro
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