Rascunho da solidão

Fiz um rascunho da solidão e lá escrevinhei os meus
Lamentos apaixonantes e absurdamente desassossegados
Deambulei pela caridade dos silêncios mais desengonçados
Fiz-me à estrada e calcetei os passos de uma memória melindrada
Deixei nas esquinas do mundo uma prece esdrúxula e tão requintada
E em cada milionésima hora pastoreei minha fé fluidificante e refrescada
No horizonte paralelístico e desesperadamente apaixonado escondeu-se esta
Imensa tristeza patinando no roda-tecto das emoções ígneas…quase teleguiadas
E de súbito, sem subtilezas, a noite domesticou todas as palavras assim pressagiadas
Frederico de Castro
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