ELOGIO À TERNURA

A ternura é uma espécie rara
De silêncio de pomar ao meio dia
Onde somente há o zunir de moscas azuis
E abelhas ocupadas em lamber frutas maduras
Semeando polens entre as flores
Levando cera pelas folhas
Misturando cores e cheiros ocultos
Dos frutos presos nos visgos e galhos
Alimentando pássaros e formigas cortadeiras

A ternura faz com que o anjo
Se ocupe em descobrir
Porque a flor desprendeu-se da haste
Tombou sobre a mesa
E foi ao chão voar entre as cadeiras

A ternura é um vulto solto
Sob o céu arcado de estrelas
Ainda que sujo de nuvens e sol
À noite talvez se possa vê-las

Ela junta conformidades às hipóteses
E nos dá a certeza de que 
Se não se pode colar certas extremidades
Tudo se refaz desde que se respeitem vontades

A ternura é justamente esse olhar sobre as esperas


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