Seringas de água benta
As costas arqueadas
ao balcão de um bar
esperando a benção
em meditação transtornada
ponderando a maçada
de não ser ninguém
e até a música
torna-se demasiado alta
ou impercetível
na memória fula
pecaminosa
se Deus não fosse estrábico
teria abortado a humanidade
ao quinto dia
evitando a desgraça
de cravar uma e outra vez os braços
na jornada prolixa do desassossego
de quem sonhou
e agora transpira e contorce
só a solidão me dá tempo
pois nem os garrotes me calam as veias
essas que tão mal escolhem as palavras
dói-me as costas
a barriga
a parte debaixo da alma
dói-me o passado
dói-me outra dose vazia
dói-me o esquecimento e a pele esticada
às vezes esqueço a que sabe a dor
outras vezes é de noite
e tudo me dói!
ao balcão de um bar
esperando a benção
em meditação transtornada
ponderando a maçada
de não ser ninguém
e até a música
torna-se demasiado alta
ou impercetível
na memória fula
pecaminosa
se Deus não fosse estrábico
teria abortado a humanidade
ao quinto dia
evitando a desgraça
de cravar uma e outra vez os braços
na jornada prolixa do desassossego
de quem sonhou
e agora transpira e contorce
só a solidão me dá tempo
pois nem os garrotes me calam as veias
essas que tão mal escolhem as palavras
dói-me as costas
a barriga
a parte debaixo da alma
dói-me o passado
dói-me outra dose vazia
dói-me o esquecimento e a pele esticada
às vezes esqueço a que sabe a dor
outras vezes é de noite
e tudo me dói!
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