O gafanhoto devora as folhas da esperança.
Ainda não chegou a esperada mudança.
Na chamada da noite faltam estrelas.
Os alarmes reclamam por socorro.
A ampulheta do amanhã figura vazia.
A mentira foi fazer cirurgia das pernas.
Nos fios de cabelo tem pássaros brancos.
Boas mãos colhem plantações de dores.
Tocado, tiro o pulso do dia. Bate fraco,
Mas penso nela. E tudo são flores.

(*poesia vencedora da "Antologia Poesia Agora Outono 2021" da Editora Trevo)
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