Último soneto para a vida

A noite cobre o rosto pálido, seco e triste
Junto com o lábio de amargura
Com o espírito de solidão, melancolia

Assim como, em braços ou vozes
que decantam o ritmo acelerado
Sobre o leito da morte de uma pessoa admirável
que já não está conosco para sempre neste mundo

As lembranças são as únicas coisas boas
e com certa bravura
Junto aos livros aos quais eu lia

Cemitérios são estes
sentimentos aos quais
todos aqui sentem,
sabem,
conhecem,
escondem
e mentem para quase ou todo o sempre

Num silêncio e agonia
tão miserável, lamentável

Como os olhos das aves de rapina
Com o instinto para viver da melhor forma possível
Que tipo de existência tenho guardo aqui? 

Não há beleza que busco mais
Tantas coisas que penso e tantos ais
aos quais desconheço a intensidade, razão

Súbito a canção
dos pássaros que lamentam 
A sabedoria antiga e morta
Como é a passagem do livro dos mortum
no Egito antigo

Sem caminho....
Perco-me...
De forma que ainda procuro o bem

Apesar que nunca vou encontrar parte completa
Ao qual tenho
De alguma forma buscado
Assim como, o amor da amada ou do amado

Alguns pensariam que tudo isso não faz o menor sentido
alguns argumentam que a vida é uma viagem sem fim
Cujo o propósito poucos o conhecem tão bem

Nas lágrimas escondidas e lamentáveis da própria vida
Que o próprio bem e mal
Que apesar dos séculos ainda permanecem 

Desconhecidos por completo
Um mal tão antigo quanto o coração de cada um
Da Terra a qual era alguma conseguiu entender
O mal do coração e do sentido da vida
Se é que existe algum
Há de continuar existindo
Seja em quem morreu
Seja em quem há de nascer, viver aqui na Terra.
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