Ser poeta é ser um ser meio absurdo,
É ver no peito as sensações do mundo
E, ao mesmo tempo, nunca poder tê-las;
E no enganar dos olhos, é sê-las.

Suas palavras o tornam intocável,
Inelegível, angustiado, indecifrável;
Ao mesmo tempo em que o simplifica
E torna fácil explicar as outras vidas.

Ao que promete é posto que se cumpra,
Nem que para sempre carregue consigo a culpa
De descrever, de novo, um adormecido sonho.

Pois some aos poucos na penumbra branca
A acender nos outros a sua chama
Que pulsa solta em seu desvario pronto.

Rômulo Luna
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