pequeno almoço
São curiosas as vidas dos demais
parecem-me rampas
obstáculos
com que facilidade enxotam os pombos
e acendem um cigarro
e cospem para o chão
se colocam de frente para o sol
vestem calças vermelhas
sapatos sem meias
ou saias horrendas
uma categoria de estilo
fabricado em braile
existem até os menires
falando alto
como se a sua opinião contasse
ou interessasse
o certo
é que de manhã
o odor a torrada propaga-e
unido ao perfume barato e vazio
criando uma nebulosidade morna
que ocupa todos os espaços
e permite às comadres discutirem de
ex-maridos
unhas mal pintadas
faturas por pagar
sem pagar
ou o fulano de bigode com sopa
pensar na adolescente
que lhe come o dinheiro
e lhe rouba a razão
tem uma unha encravada
deve ir ao mecânico
e a mim, cheira-me a torrada
a calçada é trilho
para loiras de cabelo lambido
são de puta ou de juíza
a lei funciona com essa liberdade
livres para a tal mania da roupa justa
em corpo de dinossauro
e como pode tão cedo esse tipo palitar os dentes?
a senhora tem os pés inchados
tantos mosquitos na vitrine
e mesmo assim,
a galega dá uma nata ao filho
também
parece desnatado
e cheira a lota
vou comer a torrada.
parecem-me rampas
obstáculos
com que facilidade enxotam os pombos
e acendem um cigarro
e cospem para o chão
se colocam de frente para o sol
vestem calças vermelhas
sapatos sem meias
ou saias horrendas
uma categoria de estilo
fabricado em braile
existem até os menires
falando alto
como se a sua opinião contasse
ou interessasse
o certo
é que de manhã
o odor a torrada propaga-e
unido ao perfume barato e vazio
criando uma nebulosidade morna
que ocupa todos os espaços
e permite às comadres discutirem de
ex-maridos
unhas mal pintadas
faturas por pagar
sem pagar
ou o fulano de bigode com sopa
pensar na adolescente
que lhe come o dinheiro
e lhe rouba a razão
tem uma unha encravada
deve ir ao mecânico
e a mim, cheira-me a torrada
a calçada é trilho
para loiras de cabelo lambido
são de puta ou de juíza
a lei funciona com essa liberdade
livres para a tal mania da roupa justa
em corpo de dinossauro
e como pode tão cedo esse tipo palitar os dentes?
a senhora tem os pés inchados
tantos mosquitos na vitrine
e mesmo assim,
a galega dá uma nata ao filho
também
parece desnatado
e cheira a lota
vou comer a torrada.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*