Sou o interior do frasco de veneno
Corre a tinta
descrevendo espelhos no mar
ou
as lanças acutilantes do sol
ou
o voou em picado das borboletas
e mais um saco cheio de nada
só nenhum poeta
embarca na estrofe
desenhando a cascata de pus
de uma borbulha esmagada
ou
o amarelo de um escarro
ou
o vapor envolvente da urina
tão lírico
ou
os pelos chuvosos do sovaco
ou das virilhas
ou
a cor azulada das tripas
do cão atropelado
ou
a coleção de dentes pelo asfalto
ou
o sigilo do final do coito
entre o padre e o acólito
ou
entre pai e filho
avó e neto
ou
a calma de um caixão branco
de meio metro
ou
o sabor das lágrimas
Quem gasta letras com isso?
os poetas?
não
esses são rebanhos
com medo do lobo
acreditando serem o lobo
quanto a mim
Represento o ofício
de envenenador saturado
encaixando o pescoço entre os barrotes
e vivendo cabisbaixo
anulado
escrevo discursos para mudos
e teço vendas para cegos
pressionando as veias até estoirarem
com o peso das letras
esse é o meu eu poeta
pobre do mundo
que me tem como cancro
então
restam-me as leituras
e espero ser verdade
isso de que
cedo ou tarde
os grandes poetas
acabam se parecendo!
descrevendo espelhos no mar
ou
as lanças acutilantes do sol
ou
o voou em picado das borboletas
e mais um saco cheio de nada
só nenhum poeta
embarca na estrofe
desenhando a cascata de pus
de uma borbulha esmagada
ou
o amarelo de um escarro
ou
o vapor envolvente da urina
tão lírico
ou
os pelos chuvosos do sovaco
ou das virilhas
ou
a cor azulada das tripas
do cão atropelado
ou
a coleção de dentes pelo asfalto
ou
o sigilo do final do coito
entre o padre e o acólito
ou
entre pai e filho
avó e neto
ou
a calma de um caixão branco
de meio metro
ou
o sabor das lágrimas
Quem gasta letras com isso?
os poetas?
não
esses são rebanhos
com medo do lobo
acreditando serem o lobo
quanto a mim
Represento o ofício
de envenenador saturado
encaixando o pescoço entre os barrotes
e vivendo cabisbaixo
anulado
escrevo discursos para mudos
e teço vendas para cegos
pressionando as veias até estoirarem
com o peso das letras
esse é o meu eu poeta
pobre do mundo
que me tem como cancro
então
restam-me as leituras
e espero ser verdade
isso de que
cedo ou tarde
os grandes poetas
acabam se parecendo!
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