Amanhã é uma tumba demasiado apertada
o futuro do povo nada de concreto tem
único lugar-comum a morte
e por mais forte que voe o corvo
os filhos abandonarão o colostro pela aguardente
sublimando o amor em prol de deuses estetas
terminando assim por rebentar o crânio com uma bala barata
vendida na escola pública, pagina cinco
onde uma cruz continua a dar poder ao ditador
para eles tornarem a medicação mais castanha
e tu mulher, já não és digna de reclamar pela violação
tens um, dois, três amantes
com trombas de elefantes nas ilhargas
caninos sanguinários sugando-te a jugular
e procrias num mundo dentro da caixa de Pandora
onde só falta a esperança para cobrir
as tumbas a céu aberto, enormes jardins botânicos
perto das chapas finas crepitando ao sol
onde elas abortam como quem serve um jantar
mas eles voltam a meter crianças lá dentro
metem e metem até deixar de respirar
até a bola azul derreter para vermelho
e este futuro apodrece para aquele passado de fata morgana
num adeus límbico, um final cíclico
a morte!
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