APÓS A PORTA OPACA
Paulo Sérgio Rosseto
Ali após a porta opaca e o escuro
Jorra um rio e na sua beira arde a sarça
E ouve-se um estalar de fogo silente
E o cantarolar da agua que vai resiliente
Banhar quem sabe o que se passa
A quem não sabe desconfia
Que dali soa algum silencioso hino
Imprudente por seguir sem rumo
No pátio arcado sob a abóboda do tempo
O curso do vento ácido e líquido
Quem lado a lado se põe a traspassar o átrio
Pressupõe-se manso porem assaz sábio
Para despojar dos falsos alaridos
Reconhecer nas sombras a luz do outro lado
Lapidando as mesmas pedras no caminho
É um exercício árduo continuado
De água e fogo limpando nódoa e lodo
Das vestimentas da alma ante o inusitado
Das avarezas do espírito por ser tão frágil
A ponto de entender-se purificado
Aquele que esfoliar as mãos mas descalçar as luvas
Usar de aventais e ostentar as joias
Portar as ferramentas mas não suar a blusa
Deixar que a correnteza apague as chamas
Há de arejar de novo o seu próprio templo!
@psrosseto
psrosseto.webnode.com