Encéfalo Altar
Eu cultuo minhas ideias
Eu adoro estas imagens,
em espírito e em verdade
Há uma vela acesa no Templo do Ócio
Eu assumo que sou idólatra
Ergui altar de pedras cortadas pelo Sol
para saudar as minhas
divindades pessoais,
meus santos subjetivos,
minhas sinapses essenciais
Uma epifania — pensar meus pensamentos
O templo é circular, não tem portas nem saídas
Rezar em língua portuguesa demora
Chorar meus ancestrais
que estão noutro céu d’outro alfabeto
Assumo que sou idólatra
Assumo que deus sou eu
Minhas ideias bebem dos meus sangues
Eu as cultuo em minhas preces
Eu mesmo me abençoo e de deifico
Uma vela acesa no templo ditoso,
meu hipocampo e lobo temporal
Eu cultuo minhas ideias em língua portuguesa,
dentro deste vão de naus naufragadas
Um dia ascenderei e serei mais caboclo,
mais tupi no pensar, quem sabe menos luso
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