🔴 Vendem-se pesquisas
DataFolha e outros institutos de pesquisas começaram as campanhas desacreditados. Já não se confiava pelo histórico; viraram motivo de chacota pela insistência em negar a realidade. Sempre “errando” para o mesmo lado, o comércio de preferências, de tanto se enganar foi questionado quanto ao método, local de amostragem, quantidade de entrevistados ou idoneidade.
Mais eficaz, embora nada científica, é a impressão popular — algo mais confiável, como a sensação térmica ou a sensação de segurança. É a realidade espanando a frieza dos números. Foram promovidos a termômetros da corrida eleitoral o Datapovo e o Datafeira. Lugares como a fila do supermercado, a barraca de frutas e o boca a boca ridicularizaram, mais uma vez, o militante DataFolha. Insistindo com o argumento de que a pesquisa é um “retrato do momento”, os institutos revelar-se uma fraude ou, utilizando o eufemismo, enganaram-se.
As pesquisas estimularam um arrogante, porém falso, discurso vitorioso; do outro lado a confiança no DataPovo era tão grande, que a disputa seria liquidada no primeiro turno. Definitivamente, o DataPovo é mais confiável. Melhor, é o único confiável. O Ibope já desistiu: errou tanto, que caiu em descrédito e mudou o nome. A vontade de sumir da praça foi tanta, que o comerciante de pesquisas mudou um nome que tinha virado sinônimo de pesquisa.
As “lojinhas de porcentagem” (expressão dada por Augusto Nunes) já eram desacreditadas desde o primeiro “retrato do momento”, tanto que se esperava a corroboração da desconfiança com a totalização dos votos. Tanto que, paralelamente às eleições, houve uma confirmação da inutilidade e uso eleitoreiro dos institutos. Inclusive, eu tinha tanta certeza da precariedade da descrição da realidade, que escrevi este texto antes da apuração, domingo, dia 2 de outubro.
Esses resultados são divulgados com bastante seriedade pelos órgãos de comunicação. É clara a manipulação do pleito. Os vendedores de pesquisas perderam feio, entretanto, como uma mosca chata e insistente, ressurgem. Com outro nome, mas ressurgem. No segundo turno, ressurgirão.
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