MANIAS

Quando menino
Eu roubava os jardins nas primaveras
E distribuía rosas e mais rosas ornando janelas
Olhando feliz as surpresas nos vitrais

Pelos outonos colhia tangerinas
Dos galhos arcados
Sobre os muros dos quintais
E as entregava abertas aos pardais
Que saboreavam cada uma delas

Entre invernos entremeio a temporais
Eu surrupiava as madrugadas dos ventos
E contemplava os silêncios com cantigas singelas
Consolando as invisíveis estrelas
Que me aqueciam em tão ímpares momentos

E quando vinha o verão
Tomava os raiozinhos do sol que das ruas restavam
E iluminava as calçadas de todas elas
Para que as formigas passassem em procissão
Entremeio às roupas estendidas nos varais
E fossem solícitas entre as orquídeas descansar

Hoje me aproprio das palavras
Entre tolices e manias faço versos pra te dar
De qualquer forma passo a vida a poemar



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