Teu muito amor pode matar-me

Não sei quantas bocas há em ti,

me chamas com cada uma delas.

Deves ter um milhão de olhos, 

 não escapo de nenhum.

 

Tuas muitas mãos e teus dedos incontáveis

seguram tudo em mim,

mesmo que não queira.

 

De todos os braços que há em ti, 

desconheço o mais leal, 

por todos sou puxado.

 

Mas teu coração é unitário,

avassalador, mas unitário.

Vale por mil teu nobre órgão,

não sei como podes tanto amor 

num pedaço único de carne.

 

Donzela, teu muito amor pode matar-me!

 

Robson Vieira
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