GAL ENLUARADA

Por ela enamorando a cidade
Aguardava-a de garrafa aberta 
Descalça na calçada da rua
Surgir na janela da esquina 

Trazia perfumes de nuvens
Entre as melodias do vento
Voraz cheiro de maresia
Enquanto a maré insensata
Travessa revolta inconstante
Vazava e a seu tempo subia

Davam-me nós de tempestade
Destes que suplicam por colo
Onde os raios fugidios
Estrondam e se jogam ao solo
Feito birrenta menina 
Trinando por pura arredia

E após os agueiros rebeldes
Em horas incertas das noites
Sedutora acesa ela vinha
Revestida de penumbra e sorte
Banhar-se inteira em meu vinho
Enquanto a cidade dormia

E de novo ao encher minha taça 
Sua voz será sempre um abrigo 
Tombando de ansiedade e graça
Enluarada se deita comigo


psrosseto.webnode.com
125 Visualizações

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.