Jardim de Amores

Se de amores vivi, não sei dizer.

Não se pode viver só de amores.

Até mesmo um jardim, cheio de flores,

Tem botões que jamais vão florescer.

 

Uma vez eu amei, mas sem dizer.

Nesse amor, senti as primeiras dores,

Que é um erro amar e esconder,

Desenhando – sozinho – as próprias cores.

 

Noutra vez que amei, fiz diferente.

Fui ingênuo, sincero, transparente,

Mas as flores também esmoreceram. 

 

Inda assim, essas flores que murcharam

Foram boas também, pois me ensinaram

A cuidar das outras que floresceram.
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