POEMA TORTO

Abro um poema torto
Já não me importam as sentenças
Cozinhando palavras incabíveis
Embaralhando estrofes desconexas
Fazendo desfeitas entre as letras
Pelas cabeças

Eu sempre tão zeloso com as rimas
Que no espaço se ajeitam incólumes
Não entendia porque se desalentam
Desse jeito incerto
Quando a ideia torna o ágil diferente
Do sopro de realidade das cismas

Serão os olhos que não leem direito
Seriam os pensamentos imperfeitos
Os caminhos estreitos
Ou o que se decompôs transigente?

Completem-se os dilemas
Se do poeta devem estar rindo à toa
Por seus indecifráveis poemas loucos
O livro poderá ser ainda mais doido
Se ao abri-lo existir um só risco apenas

O de ainda assim a arte sobrevir
No entanto eu
Talvez morto


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