A camuflagem do silêncio

A camuflagem do silêncio é esbelta, serena, pacífica e reverente
Forja da luz subtis fluorescências tão alucinantemente omnipresentes
E de olhos nesta solidão candente amara além o céu vibrante e transparente
A camuflagem do silêncio dilui-se no tempo e em cada hora prenhe e irreverente
Dormita no leito das palavras onde cada sonâmbulo sussurro se esvai, assim docilmente
Onde naufraga cada olhar perdido na imensuralidade das memórias tão convincentes
A camuflagem do silêncio aconchega-se entre duas lágrimas perplexas e plangentes
Percorrem a viela onde vagueiam todos os amanheceres tão mágicos, tão coniventes
Onde se lambuza uma cachoeira de carícias lenitivas e inebriantemente convergentes
Frederico de Castro
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