Não quero imitar Fernando Pessoa
Nem ser pretensiosa ao ponto de
Acreditar que posso escrever como Fernando Pessoa
Ou como qualquer outro poeta
Que se preze

Não quero passar a minha vida
Escrevendo neste caderno empoeirado
Ou em tantos outros cardernos empoeirados
Que moram nas minhas estantes 
Espalhadas pela casa

Não quero chegar aos 30 anos 
Lançar-me ao mar violento
Extravasando toda impulsividade que reservei
                                                       [por 30 anos
Para ser resgatada e precisar fingir
Que não queria morrer na praia

Não quero viver de frames da vida alheia
Nem ser enfadonha ao ponto de
Falar que não é tão importante assim a vida
                                                     [dos outros
Que se atirem de pontes e me comovam para
Que eu possa sentir algo profundo

Não quero imitar Fernando Pessoa
Nem Goethe, Nietzsche ou Sylvia Plath
Mas meu Desassossego é tão evidente
(Que para não imitar alguém)
Chamarei esta minha Redoma de Vidro de
Inquietude
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