Pela penumbra do tempo

Pela penumbra do tempo entra esta solidão tão prenhe, tão convergente
Terna e grácil a manhã descerra a lápide a cada luminescência quase estridente
Aventura-se dentro das fragrâncias daquela brisa além esvoaçando tão imponente
Pela penumbra do tempo todas as horas decoram a lápide onde repousa um eco comovente
Assim se espreguiça a vida tatuada com gemidos e gargalhadas felizes e efervescentes
Assim se sorve dos dias uma molécula de paz sussurrando mui maviosamente sorridente
Pela penumbra do tempo flutuam réplicas da memória ainda saudosa e conivente
Provocam estrondosos arrepios ao silêncio que flui fluidificante sereno e transparente
Fecundam na poesia toda a semântica latente no lascivo rascunho de palavras indigentes
Frederico de Castro
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