devaneios
Visão cega dum vão cultivar,
Anseio que derrama, negro e mudo,
Ao longe o vislumbre de ti a passar
Escorre de mim sedento, sem ar,
A drenar lento por um canudo
sob um ser que finge ser,
Ser que sabe fugir
mas não sabe desprender;
Que não serve para sentir,
Mas sente para viver.
Já não sei seguir sem par
a cruzar rotas noutros trilhos
E o fulgor do teu olhar,
por mais que o queira cuidar
vai cruzando noutros brilhos.
Indício que vem num tumulto agudo
Pulsar de veia que me assalta
Espreita o clarão pelo canudo
e a luz escorre na tua falta.
Sai de mim, por tudo te peço
Assim que saíres vou ver se me esqueço
Sai de mim, mas não me leves
Deixa ficar os dias breves,
ou uma realidade onde não te conheço.
Memória reclusa, cativo tesouro
de fios mognos no sol louro,
Risos soltos em cabelos revoltos,
Imagem tua, miragem de um ser
que em quietude à distância
me dá ânsia de te ver.
Ecoa a afastar e prende-me ao chão,
Semeia desígnios num solo a vagar,
Curva-se e colhe sombras em vão.
Estou aqui, estou agora
Espreito-me de dentro para fora,
Vejo a eira a cultivar,
Trago grãos p'ra semear,
a visão cega fixa-se perto
E desvanece a clarear
um amanhã sempre incerto
Anseio que derrama, negro e mudo,
Ao longe o vislumbre de ti a passar
Escorre de mim sedento, sem ar,
A drenar lento por um canudo
sob um ser que finge ser,
Ser que sabe fugir
mas não sabe desprender;
Que não serve para sentir,
Mas sente para viver.
Já não sei seguir sem par
a cruzar rotas noutros trilhos
E o fulgor do teu olhar,
por mais que o queira cuidar
vai cruzando noutros brilhos.
Indício que vem num tumulto agudo
Pulsar de veia que me assalta
Espreita o clarão pelo canudo
e a luz escorre na tua falta.
Sai de mim, por tudo te peço
Assim que saíres vou ver se me esqueço
Sai de mim, mas não me leves
Deixa ficar os dias breves,
ou uma realidade onde não te conheço.
Memória reclusa, cativo tesouro
de fios mognos no sol louro,
Risos soltos em cabelos revoltos,
Imagem tua, miragem de um ser
que em quietude à distância
me dá ânsia de te ver.
Ecoa a afastar e prende-me ao chão,
Semeia desígnios num solo a vagar,
Curva-se e colhe sombras em vão.
Estou aqui, estou agora
Espreito-me de dentro para fora,
Vejo a eira a cultivar,
Trago grãos p'ra semear,
a visão cega fixa-se perto
E desvanece a clarear
um amanhã sempre incerto
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