SONETO DAS DESAVENÇAS AMOROSAS
I
Esfregas na minha cara teu decote
não vou me redimir do meu olhar
o que é bonito é para contemplar
e que nos fura os olhos pra que note
de fato você fez bem de propósito
tirando-me suspiros imprecisos
fez-me parecer perder os juízos
retendo a minha sede pro depósito
talvez pela chama da sedução
que algo entre nós parecia decolar
de início eu nem queria ser teu par
pra só querer viver desse tesão
mas além de um decote a gente pensa
o corpo nunca foi uma recompensa
II
Se enfim gozastes não perdeu a chance
bom sexo pode ser libertador
não faça da nossa história um terror
o que ainda é promessa dum romance
o clímax quanto mais a gente avance
é fruto desse mesmo doce amor
nada disso tem graça sem fulgor
prazer não é tributo de revanche
se da mesma forma que a gente gosta
não tem razões pra se buscar resposta
buscando no outro mais intimidade
se a química faltar já foi pro brejo
nada pode fluir sem ter desejo
nem orgasmo não rola sem vontade
III
Se logo fomos pra linha de frente
talvez por nos conhecermos muito antes
sabendo que fui mero figurante
sendo usado de forma diferente
ainda que fosse o máximo elegante
enquanto o sangue todo fica quente
aliviando nossos corpos carentes
na banal relação de dois amantes
voltamos aos dilemas inventados
da triste relação de dois coitados
se depois que este fogo todo queima
se além da cama somos dois estranhos
se a gente vive só de tira teima
sendo ordenhados como bom rebanho
IV
Rebanho do que a gente só rumina
comendo nada além disso que é palha
eu sendo troço e você uma tralha
pelas coisas que a gente nem opina
embora o que mais nos contamina
é que nada disso nem atrapalha
ou achar valer o que nem mesmo valha
da pureza perdida da menina
se nossa relação seguiu pro abismo
não fora somente pelo que eu cismo
mas pelas coisas que foi se arrastando
se a gente se deleita já nos basta
como se fosse lucro estar transando
mesmo que a relação esteja gasta
V
Retirando antolhos da insensatez
pude contemplar a chance de amar
depois duma briga pude voltar
te ver sem dar bola pra pequenez
se o amor é veredito de vitória
vamos buscar um novo horizonte
deixando no passado a dor de ontem
vivendo bom romance nessa história
para termos nosso jardim florido
ante a beleza de te ver sorrir
pra não ter motivos de arrumar brigas
que faz do viver não ter sentido
nos pondo atrás de linhas inimigas
não tendo vencedor e nem vencido
Rio, 29 e 30/12/19
Esfregas na minha cara teu decote
não vou me redimir do meu olhar
o que é bonito é para contemplar
e que nos fura os olhos pra que note
de fato você fez bem de propósito
tirando-me suspiros imprecisos
fez-me parecer perder os juízos
retendo a minha sede pro depósito
talvez pela chama da sedução
que algo entre nós parecia decolar
de início eu nem queria ser teu par
pra só querer viver desse tesão
mas além de um decote a gente pensa
o corpo nunca foi uma recompensa
II
Se enfim gozastes não perdeu a chance
bom sexo pode ser libertador
não faça da nossa história um terror
o que ainda é promessa dum romance
o clímax quanto mais a gente avance
é fruto desse mesmo doce amor
nada disso tem graça sem fulgor
prazer não é tributo de revanche
se da mesma forma que a gente gosta
não tem razões pra se buscar resposta
buscando no outro mais intimidade
se a química faltar já foi pro brejo
nada pode fluir sem ter desejo
nem orgasmo não rola sem vontade
III
Se logo fomos pra linha de frente
talvez por nos conhecermos muito antes
sabendo que fui mero figurante
sendo usado de forma diferente
ainda que fosse o máximo elegante
enquanto o sangue todo fica quente
aliviando nossos corpos carentes
na banal relação de dois amantes
voltamos aos dilemas inventados
da triste relação de dois coitados
se depois que este fogo todo queima
se além da cama somos dois estranhos
se a gente vive só de tira teima
sendo ordenhados como bom rebanho
IV
Rebanho do que a gente só rumina
comendo nada além disso que é palha
eu sendo troço e você uma tralha
pelas coisas que a gente nem opina
embora o que mais nos contamina
é que nada disso nem atrapalha
ou achar valer o que nem mesmo valha
da pureza perdida da menina
se nossa relação seguiu pro abismo
não fora somente pelo que eu cismo
mas pelas coisas que foi se arrastando
se a gente se deleita já nos basta
como se fosse lucro estar transando
mesmo que a relação esteja gasta
V
Retirando antolhos da insensatez
pude contemplar a chance de amar
depois duma briga pude voltar
te ver sem dar bola pra pequenez
se o amor é veredito de vitória
vamos buscar um novo horizonte
deixando no passado a dor de ontem
vivendo bom romance nessa história
para termos nosso jardim florido
ante a beleza de te ver sorrir
pra não ter motivos de arrumar brigas
que faz do viver não ter sentido
nos pondo atrás de linhas inimigas
não tendo vencedor e nem vencido
Rio, 29 e 30/12/19
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