ouroboros

o tempo reúne a obra
à natureza do obreiro.
naquilo que afinal sobra
reside o que é verdadeiro.

a vida em si o desdobra
até que se mostre inteiro,
na inteira volta da cobra
aonde estava primeiro.

assim se vê claramente
no olhar dos restos do lar:
silente, longínquo, velho...

onde vagarosamente
começa a se humanizar
a infinda face do espelho.
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